Sentiu dor no joelho depois da corrida ou da musculação? Descubra a diferença entre a fadiga fisiológica e os sinais de lesão e saiba quando agendar uma avaliação.
Você termina a sua sessão de corrida, o treino de musculação ou o treino no tatame se sentindo ótimo. No entanto, ao colocar os pés fora da cama na manhã seguinte, surge aquela pontada chata ou uma sensação de peso no joelho.
A primeira reação de quase todo esportista é: “Será que me machuquei? Vou precisar parar de treinar?”
O medo de ter que interromper a rotina de treinos faz com que muitos atletas amadores cometam dois erros extremos: ignoram o sinal do corpo e continuam treinando em cima da dor ou se apavoram e param totalmente as atividades sem necessidade.
Como médico do esporte, ortopedista e praticante de atividades físicas, entendo perfeitamente essa angústia. O segredo para não cair em nenhuma dessas armadilhas está na educação do seu corpo. Nem toda dor no joelho significa uma lesão grave, mas certas dores nunca devem ser ignoradas.
Abaixo, explico como diferenciar a dor fisiológica de adaptação dos sinais de alerta de uma lesão estrutural.
A dor normal
Para evoluir em qualquer esporte, o corpo precisa ser submetido a estímulos. Esse estresse gera microlesões controladas nas fibras musculares e adaptações nos tecidos adaptativos, um processo natural e necessário para o ganho de força e resistência.
A dor considerada fisiológica ou de adaptação costuma ser uma dor ao redor do joelho ou na musculatura da coxa (quadríceps/isquiotibiais), e não uma dor dentro da articulação. Ela tende a aparecer entre 12 e 24 horas após um treino mais intenso ou com estímulos novos. O joelho parece pesado ou fadigado, mas não dói em pontadas agudas. A dor atinge o pico em até 48 horas e desaparece completamente em poucos dias. O joelho não incha, não esquenta e não trava.
Se a sua dor se encaixa nesse padrão, o seu corpo está apenas se adaptando ao estímulo. Descanso adequado, boa hidratação e sono de qualidade resolvem o problema.
Quando a dor indica uma lesão
É importante entender que há diferentes tipos de dores: as de pós-treino geralmente são sentidas no dia posterior ao exercício. Já as dores nos ligamentos ou nos meniscos, que comprometem a estrutura do joelho, surgem de forma aguda após um impacto direto/trauma ou uma entorse. E, por fim, dores de cartilagem ou de desgaste de menisco, podem surgir de maneira gradativa, por conta de degeneração da estrutura do joelho.
Nos dois últimos casos, a dor deixa de ser um mero desconforto de treino e passa a ser um alerta mecânico e precisa de um acompanhamento detalhado e profissional.
Fique atento se a sua dor apresentar algum destes 5 sinais:
1. Dor pontual ou profunda
Diferentemente da dor muscular difusa, a dor de lesão costuma ser bem localizada. Você consegue apontar com o indicador exatamente onde dói (na lateral, atrás da patela ou na linha da articulação) ou sente que o problema é fundo, dentro do osso.
2. Presença de inchaço (derrame articular)
Se o seu joelho aumentou de volume após o treino (o famoso joelho d’água), há um sinal de inflamação intra-articular. O corpo produz excesso de líquido em resposta a um trauma na cartilagem, no menisco ou no ligamento.
3. Estalos acompanhados de dor ou travamento
Se o estalo vier acompanhado de uma fisgada ou se você sentir que o joelho trava ao agachar e tentar esticar a perna, pode haver uma lesão de menisco.
4. Sensação de instabilidade (falseio)
Sentir que o joelho está frouxo ou que a perna vai ceder ao mudar de direção, descer um degrau ou dar uma pisada em falso é um sintoma clássico de lesão ligamentar (como a do LCA).
5. Dor que persiste por mais de 72 horas ou piora ao longo dos dias
Uma dor de treino normal diminui gradativamente. Se o desconforto continua igual ou piora após três dias de repouso, o seu corpo está sinalizando que houve dano tecidual que precisa de diagnóstico.
O perigo de treinar em cima da dor
Quando você treina com uma lesão não diagnosticada, passa a mancar levemente, sobrecarrega o quadril, o tornozelo ou o outro joelho, e o que era um problema simples de resolver vira uma reação em cadeia de lesões compensatórias.
Adiar a consulta com o especialista não faz a lesão sumir, apenas torna o tratamento mais longo e complexo.
O que fazer se você identificou os sinais de alerta?
Se você desconfia que a dor no joelho vai além do cansaço muscular, suspenda os exercícios de alto impacto, não se automedique com anti-inflamatórios e busque uma avaliação médico-esportiva.
A minha meta no consultório nunca é proibir o esporte, mas sim ajustar o caminho para que você volte a treinar o mais rápido possível, com segurança e sem dores.
Sentiu algum sinal de alerta no seu joelho?
Se você quer investigar uma dor persistente para voltar aos treinos com total confiança, agende uma consulta.
R. Capitão José Verdi, 1730 – Boa Vista | São José do Rio Preto – SP
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Dr. Gunter Sgarboza
Ortopedia, Cirurgia do Joelho e Traumatologia do Esporte.